Jader Barbalho - Jader propõe criação de Monitoramento e Restauração Ecológica Inteligente

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Jader propõe criação de Monitoramento e Restauração Ecológica Inteligente

Em um movimento que recoloca a tecnologia no centro do debate ambiental, o senador Jader Barbalho (MDB-PA) apresentou nesta semana um projeto de lei que institui a Política Nacional de Monitoramento e Restauração Ecológica Inteligente (PNREI), criando as bases legais para o uso de sistemas autônomos, inteligência artificial e sensores na conservação da biodiversidade brasileira. A proposta surge em um momento emblemático, em que o Congresso Nacional aprovou recentemente a flexibilização do licenciamento ambiental, por meio do Lei 15.190/2025 (originada do PL 2.159/2021), seguindo uma direção oposta à defendida pelo parlamentar paraense.

Segundo Jader Barbalho, o país já possui um arcabouço legal consolidado na área ambiental, mas ainda opera com instrumentos defasados diante dos desafios atuais. “A legislação ambiental brasileira é robusta em comando e controle, com marcos importantes como o Código Florestal e a Lei de Crimes Ambientais, mas carece de uma base legal que incorpore a inovação tecnológica de forma ativa”, afirmou o senador. Ele ressalta que o modelo vigente ainda é essencialmente reativo: o dano ambiental é identificado — muitas vezes por imagens de satélite ou denúncias — e só então ocorre a ação estatal.

A proposta pretende inverter essa lógica. “Estamos propondo a transição para um modelo de proteção ambiental ativa e preditiva. Com o uso de inteligência artificial e sensores conectados, será possível antecipar ilícitos ambientais antes que eles aconteçam, por meio da identificação de padrões acústicos, como motosserras, e variações térmicas em tempo real”, explicou o parlamentar.

Alto custo da fiscalização tradicional

O projeto também dialoga diretamente com um problema histórico de gestão pública: o alto custo da fiscalização tradicional. Atualmente, o Estado brasileiro gasta bilhões em operações presenciais, muitas vezes com baixa eficiência territorial. Com a implementação do monitoramento inteligente, a expectativa é reduzir em até 70% o custo por hectare protegido. “Não se trata apenas de proteger melhor, mas de gastar melhor. A tecnologia permite escalar a fiscalização com precisão e eficiência inéditas”, destacou Jader.

Outro eixo central da proposta é a criação de um ambiente seguro e confiável para o mercado de carbono, que ainda enfrenta entraves no Brasil, especialmente relacionados à credibilidade dos dados. O texto prevê a validação de créditos de carbono por meio de sensores e sistemas de inteligência artificial auditáveis. “Ao exigir que os créditos sejam lastreados em dados verificáveis em tempo real, eliminamos fraudes e posicionamos o Brasil como porto seguro para investimentos ESG”, afirmou o senador, referindo-se ao mercado global que movimenta mais de US$ 30 trilhões.

Nesse contexto, o projeto também introduz o conceito de CPR-Verde Digital, mecanismo que promete dar segurança jurídica ao produtor rural e transformar a preservação ambiental em fonte de renda. A ideia é permitir que áreas de reserva legal sejam monitoradas digitalmente e convertidas em ativos financeiros com liquidez, reduzindo burocracias e ampliando o acesso de pequenos e médios produtores ao mercado de ativos ambientais.

A proposta vai além da fiscalização e entra no campo da restauração ecológica em larga escala. O texto prevê a regulamentação do uso de drones e sistemas automatizados para o plantio inteligente de sementes, uma alternativa considerada essencial para cumprir metas de reflorestamento assumidas pelo Brasil no âmbito do Acordo de Paris. “Os métodos tradicionais são lentos e limitados. A restauração automatizada é a única forma de recuperar biomas como a Amazônia e o Cerrado na velocidade que a crise climática exige”, pontuou.

Ecossistema de empresas de inovação

Além do impacto ambiental, o projeto aposta na transformação econômica do setor. Ao incentivar o desenvolvimento de tecnologias nacionais, a proposta busca criar um ecossistema de empresas de inovação, como ClimateTechs, GovTechs e GreenTechs, reduzindo a dependência de soluções estrangeiras. “Hoje exportamos commodities e importamos tecnologia. Precisamos inverter essa lógica e transformar nossa biodiversidade em motor de inovação e geração de empregos qualificados”, disse Jader.

O texto também enfrenta um dos principais gargalos do mercado ambiental: o chamado custo de MRV (Monitoramento, Relato e Verificação). Atualmente, esse processo é caro, manual e sujeito a falhas. Com a digitalização e automação, a proposta prevê uma verificação contínua e de alta precisão, aumentando a transparência e a confiabilidade dos ativos ambientais brasileiros no mercado internacional.

“A integração de sensores e inteligência artificial aos registros ambientais garante adicionalidade e permanência do carbono estocado com um nível de integridade que o mercado global exige. Isso abre portas para investimentos estrangeiros e democratiza o acesso ao mercado para produtores rurais”, completou o senador.

Ao apresentar a PNREI, Jader Barbalho posiciona o debate ambiental em um novo patamar, no qual preservação e tecnologia deixam de ser campos paralelos e passam a operar de forma integrada. Em meio a um cenário de mudanças legislativas e pressões internacionais, a proposta aposta na inovação como ferramenta central para garantir proteção efetiva dos biomas brasileiros e inserir o país na vanguarda da bioeconomia digital.