Senador Jader solicita informações sobre tombamento do Santuário de São Benedito

O senador Jader Barbalho encaminhou ao presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Deyvesson Gusmão,  ofício solicitando informações sobre o processo de reconhecimento nacional do templo histórico, Santuário de São Benedito, centro da fé e das tradições culturais de Bragança. Aberto em 2025, o processo busca reconhecer o templo como Patrimônio Material, e tramita no Iphan sob o protocolo nº 01450.014511/2025-30. O pedido foi encaminhado na terça, 22, após uma solicitação apresentada ao senador Jader pelo vereador de Bragança, Claudio Wagner Soares Cruz. Além de solicitar a atualização sobre o processo, Jader Barbalho manifestou apoio formal ao tombamento federal da igreja, considerada um dos principais símbolos religiosos, históricos e culturais da região bragantina.

“O santuário é o coração de uma tradição secular que une fé, cultura afro-brasileira e a identidade do povo bragantino”, afirmou o senador no documento enviado ao instituto. Localizado no centro histórico de Bragança, município fundado em 1613 às margens do rio Caeté, o Santuário de São Benedito foi construído no século XVIII. Segundo a justificativa apresentada ao Iphan, o templo reúne influências jesuíticas e indígenas e é a última edificação em estilo barroco ainda existente no município.

Para Jader Barbalho, a proteção federal poderá reforçar a preservação de um patrimônio que atravessou gerações e permanece diretamente ligado à vida religiosa e cultural da população. “Por seu valor histórico e cultural, o templo foi tombado como patrimônio estadual em 2006, guardando em suas paredes e tradições a memória da religiosidade popular bragantina”, destacou.

Igreja abriga imagens ligadas à Esmolação

O interior do santuário conserva elementos que ajudam a contar a história da devoção a São Benedito no Pará. O altar-mor foi adaptado para receber a imagem do santo e apresenta ornamentações e pinturas características do barroco nas paredes e colunas.

No local está uma imponente imagem de São Benedito, possivelmente esculpida no fim do século XVIII e produzida em estilo português. A igreja também guarda três imagens menores do santo, que percorrem as regiões de Campos, Praias e Colônias durante o tradicional ritual da Esmolação, realizado entre abril e dezembro de cada ano.

A Esmolação é uma das práticas que antecedem e sustentam o ciclo da festividade de São Benedito. As imagens visitam comunidades do município, renovando laços de fé, solidariedade e pertencimento que se mantêm vivos há séculos entre as famílias da região.

No ofício, o senador ressalta que a igreja não é apenas uma construção antiga, mas o espaço em torno do qual se desenvolveram manifestações fundamentais para a identidade de Bragança. “É uma construção do século XVIII, de herança jesuítica e indígena, sendo a última edificação em estilo barroco do município e também o centro de importantes manifestações culturais centenárias”, registrou o senador.

Entre essas manifestações estão o culto, a festividade de São Benedito e a Marujada de São Benedito, reconhecida pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil. Enquanto esse reconhecimento protege a celebração, seus saberes, ritos e expressões como patrimônio imaterial, o processo acompanhado pelo senador trata especificamente do tombamento do santuário como bem material.

Referência de fé e peregrinação

A importância religiosa do templo ganhou um novo reconhecimento em 26 de dezembro de 2024, durante a tradicional festividade de São Benedito. Naquela data, a igreja foi elevada oficialmente à condição de Santuário Diocesano pelo bispo Dom Raimundo Possidônio Carrera da Mata.

Com a mudança, o templo consolidou-se como referência de espiritualidade e peregrinação para fiéis de Bragança, de outros municípios paraenses e de diferentes regiões do país que participam anualmente das homenagens ao santo.

Agora, o pedido encaminhado ao Iphan busca esclarecer em que fase se encontra o processo iniciado em 2025 e quais providências ainda serão necessárias para a eventual proteção federal do imóvel. O tombamento, caso aprovado, poderá ampliar o reconhecimento institucional do santuário e fortalecer as ações destinadas à conservação de sua arquitetura e de seus elementos históricos.

Ao concluir o documento, Jader Barbalho pede atenção do Iphan à demanda e reforça que a preservação da igreja representa também a proteção da memória coletiva de Bragança. “Conto com o elevado espírito público de Vossa Senhoria para que nos informe o andamento do referido processo de tombamento do Santuário de São Benedito”, escreveu o senador.