Jader Barbalho - Jader celebra título mundial do Theatro da Paz

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Jader celebra título mundial do Theatro da Paz

O Theatro da Paz, um dos maiores símbolos históricos e culturais do Pará, passou a integrar a Lista do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O reconhecimento foi anunciado nesta segunda-feira (27), durante a 48ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada em Busan, na Coreia do Sul.

A inscrição ocorreu por meio da candidatura “Teatros da Amazônia”, composta pelo Theatro da Paz e pela Praça da República, em Belém, e pelo Teatro Amazonas e o Largo de São Sebastião, em Manaus. Os dois conjuntos formam um bem cultural seriado, expressão utilizada pela Unesco para identificar patrimônios constituídos por diferentes componentes que compartilham o mesmo valor histórico e cultural. Os teatros de Belém e de Manaus são agora os primeiros patrimônios culturais da Amazônia reconhecidos mundialmente. O Brasil passa a contar com 26 sítios reconhecidos pela Unesco, dos quais 16 são culturais, nove naturais e um misto.

A candidatura foi formalizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em parceria com os ministérios da Cultura e das Relações Exteriores e com a colaboração das secretarias de Cultura do Pará e do Amazonas. O trabalho envolveu pesquisadores, especialistas, profissionais da cultura, gestores públicos, instituições patrimoniais e representantes da sociedade civil.

O reconhecimento internacional considera que os teatros de Belém e Manaus representam um mesmo processo de modernização urbana e de integração da Amazônia aos circuitos comerciais e culturais mundiais, impulsionado pela expansão da economia da borracha entre o final do século XIX e o início do século XX.

Senador Jader apoiou candidatura em 2024

A mobilização recebeu o apoio político do senador Jader Barbalho (MDB-PA) ainda na fase de preparação da candidatura. Em agosto de 2024, o parlamentar encaminhou ofício à Secretaria de Estado de Cultura do Pará, formalizando seu respaldo à iniciativa e defendendo a união entre representantes do setor cultural, especialistas e instituições da Região Norte.

No documento, Jader ressaltou que a importância histórica, arquitetônica e artística do Theatro da Paz ultrapassava as fronteiras paraenses. “O Theatro da Paz já é um patrimônio nacional e sua relevância para a sociedade paraense e para toda a região amazônica merece ser reconhecida pela Unesco. É o símbolo mais forte da cultura paraense, sendo um tesouro arquitetônico e artístico”, afirmou o senador na ocasião.

Jader também defendeu a candidatura conjunta com o Teatro Amazonas, destacando que os dois monumentos guardam parte significativa da história econômica e cultural da região.

“São testemunhas de um importante período de desenvolvimento a partir do ciclo da borracha na região. Além de representar a rica história e arquitetura da Amazônia, simbolizam também a interseção da região com a economia e a geopolítica internacional nos séculos XIX e XX”, declarou.

Ao encaminhar o apoio à Secretaria de Cultura, o senador defendeu a articulação institucional necessária para o avanço da candidatura. “Entendo ser essa uma importante oportunidade para unirmos esforços pela valorização de bens que, por sua importância como referência e identidade das nações, possam ser considerados patrimônio de todos os povos. Contem com meu apoio”, registrou Jader no ofício.
Quase dois anos depois daquela manifestação, o senador comemorou o resultado alcançado pelo Pará e pelo Amazonas. “Festejo a eleição do Theatro da Paz como Patrimônio Cultural Mundial, juntamente com o Teatro Amazonas, de Manaus — os Teatros da Amazônia —, anunciada durante a 48ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, realizada em Busan, na Coreia do Sul”, afirmou Jader Barbalho.

O parlamentar também parabenizou os profissionais e as instituições envolvidos na candidatura. Para Jader, o título representa uma conquista coletiva, fortalece a preservação da memória paraense e projeta a cultura amazônica internacionalmente.

História iniciada no século XIX

A pedra fundamental do Theatro da Paz foi lançada em 3 de março de 1869. Projetado pelo engenheiro militar José Tibúrcio de Magalhães, o prédio foi construído entre 1874 e 1878, no contexto da expansão da economia da borracha, e inaugurado em 15 de fevereiro de 1878.

Inicialmente denominado Theatro de Nossa Senhora da Paz, em referência ao fim da Guerra do Paraguai, o espaço teve posteriormente o nome reduzido para Theatro da Paz. Sua arquitetura buscou referências nos grandes teatros líricos europeus, ao mesmo tempo que incorporou materiais, elementos artísticos e símbolos ligados à Amazônia.

O projeto original apresentava predominância do estilo neoclássico. Reformas posteriores, especialmente a realizada em 1904, acrescentaram características ecléticas ao edifício. O interior reúne madeiras amazônicas, mármores, lustres, elementos metálicos e obras produzidas por artistas brasileiros e europeus.

Entre os destaques estão o painel do teto pintado pelo italiano Domenico de Angelis, que representa a chegada do deus Apolo à Amazônia, e o pano de boca com uma alegoria à República, produzido em Paris pelo cenógrafo francês Eugène Carpezat.

A Unesco reconheceu os Teatros da Amazônia com base nos critérios II e IV da Convenção do Patrimônio Mundial. O primeiro considera o intercâmbio entre as influências artísticas e tecnológicas europeias e as características culturais e territoriais amazônicas. O segundo reconhece os conjuntos como exemplos excepcionais de arquitetura, urbanismo e paisagismo relacionados às transformações econômicas e sociais provocadas pela Revolução Industrial.

Inicialmente concebido para receber óperas e grandes companhias artísticas, o Theatro da Paz atravessou gerações e ampliou sua presença na vida cultural paraense. Além da música erudita e das artes cênicas, passou a acolher manifestações populares e diferentes expressões da identidade amazônica.

O título da Unesco amplia a visibilidade internacional de Belém, fortalece o compromisso com a conservação do Theatro da Paz e da Praça da República e pode estimular o turismo e a economia da cultura. Mais do que um monumento do passado, o teatro permanece como espaço vivo de criação artística e de encontro entre a tradição paraense e o mundo.